São numerosos os escritos do santo. Foi proclamado pelo Papa São Pio X, padroeiro dos pregadores (Arraras, 1983)

João nasceu em Antioquia, provavelmente em 349. Educado pela mãe, Santa Antusa. Depois, quando morreu sua mãe, retirou-se para o deserto e aí permaneceu seis anos, dos quais os dois últimos passou no retiro solitário de uma caverna, em agravo da saúde física. Chamado à cidade e ordenado diácono, dedicou cinco anos de preparação ao sacerdócio e ao ministério da pregação. Ordenado sacerdote pelo bispo Fabiano, tornou-se o seu zeloso colaborador no governo da diocese de Antioquia. A especialização pastoral de João era a pregação, na qual revelava os dons de orador e sua profunda cultura.

Chamado para substituir o patriarca Netário na prestigiosa cátedra de Constantinopla. Na capital do império do Oriente, João desenvolveu logo atividade pastoral e organizadora que suscitou admiração e perplexidade: evangelização rural, criação de hospitais, procissões antiarianas sob a proteção da polícia imperial, sermões “de fogo com que castigava os vícios e as friezas, severas advertências aos monges indolentes e aos eclesiásticos demasiado sensíveis aos apelos da riqueza”.

Os sermões de João duravam horas inteiras, mas o doutor patriarca sabia usar com consumada perícia todos os recursos da retórica, não para aliciar os ouvidos de seus ouvintes, mas para ensinar, corrigir, recriminar. Pregador insuperável, João não era muito diplomático e as encrencas com a corte bizantina foram inevitáveis. Deposto ilegalmente por um grupo de bispos chefiados por Teófilo, e exilado com a cumplicidade de Eudóxia, a imperatriz, foi reconduzido logo, depois pelo imperador Arcádio, atingido por várias desgraças que sobrevieram ao palácio. Mas, dois meses depois, João era de novo exilado, primeiro para a fronteira com a Armênia, depois para as margens do Mar Negro.

Pregador insuperável, João não era muito diplomático

Durante este último exílio, a 14 de setembro de 407, João morreu. Do sepulcro de Comana, o filho de Arcádio, Teodósio, o Jovem, fez transferir os restos mortais do santo a Constantinopla, onde chegaram na noite de 27 de janeiro de 438, entre uma multidão triunfante.

São numerosos os escritos do santo: Sobre o Sacerdócio, Exortação a Teodoro I e II, Tratado sobre a compunção, Comentário a primeira e segunda Carta aos Coríntios; Contra os adversários da vida monástica, Da incompreensibilidade de Deus, Da providência de Deus; Cartas a Olympia e muitas homilias que chegaram a nós. Foi proclamado pelo Papa São Pio X, padroeiro dos pregadores (Arraras, 1983). Gostava de lembrar aos fiéis: “Nunca te esqueças de que Deus fez de ti seu amigo”. Próximo da morte, escreveu que o valor do homem consiste no “conhecimento exato da verdadeira doutrina e na retidão da vida” (Carta do exílio).

Texto elaborado por Maria Alice das Dores/Pascom Santo Antônio

Fontes:
Editora Paulus e Cléofas

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