Na Oitava da festa da Assunção, a Igreja celebra a memória da Beata Virgem Maria Rainha, em 22 de agosto

Paralela ao reconhecimento do Cristo Rei, encontramos a realeza da Virgem a qual foi assunta ao Céu. Mãe da Cabeça, dos membros do Corpo místico e Mãe da Igreja; Nossa Senhora é aquela que do Céu reina sobre as almas cristãs, a fim de que haja a salvação: “É impossível que se perca quem se dirige com confiança a Maria e a quem Ela acolher” (Santo Anselmo). “Maria é a rainha do Céu e da terra, por graça, como Cristo é Rei por natureza e por conquista”. Assim afirma Luís Maria Grignion de Montfort, no Tratado da Verdadeira Devoção, número 38.

A festa litúrgica de Nossa Senhora Rainha é conhecida também festa do “Reinado de Maria”. Ela foi instituída no ano 1954 pelo Papa Pio XII. Aconteceu quando ele coroou Nossa Senhora na Basílica de Santa Maria Maior, que fica em Roma, Itália. No dia 11 de outubro de 1954, Pio XII promulgou também a Encíclica Ad Caeli Reginam (A Rainha do Céu). A carta é um tratado sobre a realeza e a dignidade de Maria.

A liturgia já invoca a Mãe de Deus com os títulos de Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores, das Virgens, de todos os Santos, Rainha Imaculada, Rainha do Santíssimo Rosário, Rainha da Paz e Rainha Assunta ao Céu. Este título de Rainha exprime então o pensamento de a Santíssima Virgem se avantajar a todas as ordens de santidade e de virtude, Rainha dos meios que levam a Jesus Cristo, e de que, sendo Rainha assunta ao Céu, já era sobre a terra, isto é, Rainha reconhecida pela terra e pelo céu como sendo a criatura mais perfeita e mais avantajada em toda a santidade e semelhança de Deus Criador.

Embora tenha origens antigas, é uma festa de instituição recente. Foi criada em 1954 por Pio XII na conclusão do Ano Mariano. Embora o Papa Pacelli tenha fixado a data da memória no dia 31 de maio, depois da reforma pós-conciliar do calendário litúrgico, foi colocada depois de oito dias da festa da solenidade da Assunção, para enfatizar a estreita ligação entre a realeza de Maria e a sua glorificação em alma e corpo junto ao seu Filho. A origem da memória deste dia está no fato de que a Mãe do Redentor é Rainha porque associada de modo único com o seu Filho, seja no caminho terreno, seja na glória do Céu.

Antes de anunciar a sua decisão de instituir a festa litúrgica da “Santa Virgem Maria Rainha”, assinalou o Papa: “Não queremos propor com isso ao povo cristão uma nova verdade e acreditar, porque o próprio título e os argumentos que justificam a dignidade real de Maria já foram abundantemente formulados em todos os tempos e encontram nos documentos antigos da Igreja e nos livros litúrgicos. Tencionamos apenas chamá-lo com esta encíclica a renovar os louvores à nossa Mãe do céu, para reanimar em todos os espíritos uma devoção mais ardente e contribuir assim para o seu bem espiritual”.

Nossa Senhora, verdadeira Mãe do Rei, é invocada neste dia 22 com o título de Rainha do Céu e da Terra

Pio XII cita em seguida as palavras dos doutores e santos que desde a origem do Novo Testamento até os dias atuais salientaram o caráter soberano e real da Mãe de Deus, corredentora: Santo Efrém, São Gregório de Nazianzeno, Orígenes, Epifânio, Bispo de Constantinopla, São Germano, São João Damasceno, até Santo Afonso Maria de Ligório.

Acentua o Santo Padre que o povo cristão através das idades, tanto no oriente quanto no ocidente, nas mais diversas liturgias, cantou os louvores de Maria, Rainha dos Céus. “A iconografia para traduzir a dignidade real da bem-aventurada Virgem Maria enriqueceu-se em todas as épocas com obras de arte do maior valor. Ela chegou mesmo a representar o divino Redentor cingindo a fronte de sua Mãe com uma coroa refulgente”.

Na última parte do documento, o Papa declara que tendo adquirido, após longas e maduras reflexões, a convicção de que decorrerão para a Igreja grandes vantagens dessa verdade solidamente demonstrada, decreta e institui a festa de Maria Rainha, e ordena que nesse dia se renove a consagração do gênero humano do Coração Imaculado na Bem-Aventurada Virgem Maria, “porque nessa consagração repousa uma viva esperança de ver surgir uma era de felicidade que a paz cristã e o triunfo da religião alegrarão”.

Tudo na Virgem está relacionado a Cristo e tudo depende dele: por causa dele, Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu Mãe toda santa e a adornou de dons do Espírito, não concedidos a mais ninguém. Quando falamos no título da Realeza de Maria Santíssima, trata-se da Realeza que lhe cabe por direito como Soberana, deduzida das suas relações com Jesus Cristo, Rei por direito de tudo o criado, visível e invisível, no céu e na terra.

A realeza de Maria e do seu Filho não deve ser entendida em termos terrenos. Maria é Rainha porque participa da responsabilidade de Deus pelo mundo e do amor de Deus pelo mundo. A sua realeza está, portanto, profundamente ligada com a de Cristo, cheia de humildade, de serviço e de amor.

Efetivamente as prerrogativas de Jesus Cristo tem todos os seus reflexos na Santíssima Virgem, Sua Mãe admirável: assim Jesus Cristo é o autor da graça, e Sua Mãe é a despenseira e intercessora de todas as graças; Jesus Cristo está unido à Santíssima Virgem pelas suas relações de Filho e nós, corpo místico de Jesus Cristo, estamos também unidos a Sua Mãe pelas relações que Ela tem conosco como Mãe dos homens. E assim, pelo reflexo da Realeza de Jesus Cristo, seu filho, Ela é Rainha do céu e da terra, dos Anjos e dos homens, das famílias e dos corações, dos justos e dos pecadores que, na Sua Misericórdia real, encontram perdão e refúgio.

A realeza de Jesus não tem nada a ver com a dos poderosos da terra. Cristo é um rei que serve os seus servos. E isso também se aplica a Maria, que é Rainha no serviço a Deus e à humanidade; é Rainha do amor, que vive o dom de si a Deus para entrar no desenho de salvação do homem. Nossa Senhora é, portanto, Rainha porque é Serva obediente do Senhor. O emblema da realeza de Maria é a resposta que deu ao anjo no momento da Anunciação: “Eis aqui a Serva do Senhor” (Lc 1, 38).

E, no entanto, como Maria exerce esta sua realeza de serviço e amor? Cuidando de seus filhos, dirigem-se a Ela na oração, para agradecê-la ou para pedir a sua materna proteção e a sua celestial ajuda. Na serenidade ou na escuridão da existência, nós nos dirigimos a Maria confiando-nos a sua contínua intercessão, para que nos possa obter do Filho toda graça e misericórdia necessárias para a nossa peregrinação ao longo das estradas do mundo.

Maria é uma Rainha celestial, e, por meio dela, nós nos dirigimos ao seu Filho, àquele que rege o mundo e tem nas mãos os destinos. De fato, ao longo dos séculos, Maria foi invocada como Rainha dos Céus, como a nossa mãe ao lado do seu Filho Jesus na glória do Céu. Por este motivo, a devoção a Nossa Senhora é um elemento importante da vida espiritual dos cristãos, que devem dirigir-se com confiança àquela, que não deixará de interceder por nós junto ao seu Filho, e a aprender de Maria a viver. Maria é a Rainha do céu que está próxima de Deus, mas é também a mãe que está perto de cada um de nós, que nos ama e ouve a nossa voz.

Todas as heresias foram, em todos os tempos, vencidas pelo cetro da Santíssima Mãe de Deus. Nesses nossos tempos, tão conturbados pelas sumas das heresias, os homens debatem-se numa pavorosa luta em que vemos e apalpamos, da maneira mais trágica, serem insuficientes os meios humanos para restabelecer a paz na sociedade humana. De resto, demasiado puderam os homens a sua confiança nos sistemas sociais, nos meios do progresso científico, no poder das armas de destruição, no terrorismo, e tudo isso só serviu para o mundo assistir agora desorientado à maldição profetizada aos homens que põem a sua confiança nos homens, afastando-se de Deus e da ordem sobrenatural da graça.

Maria Santíssima, Rainha do Céu e da terra, foi sempre a vencedora de todas as batalhas de Deus: Voltem-se os governantes do mundo para Ela e o Seu cetro fará triunfar a causa do bem, com o triunfo da Igreja e do Reino de Deus! “Toda devoção a Maria termina em Jesus, tal como o rio que se lança ao mar” (Cardeal Suenens).

Nossa Senhora Rainha do Céu e da Terra, rogai por nós!

Texto elaborado por Thais Pereira/Pascom Santo Antônio

Fontes:
http://pt.aleteia.org
http://www.acidigital.com
http://www.cancaonova.com.br
http://www.cruzterrasanta.com.br
http://www.cancaonova.com.br
http://www.cnbb.org.br
http://www.cleofas.com.br
http://www.nossasagradafamilia.com.br
http://www.arautos.org

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